Este clássico de culto é um dos pontos de referência da era do Muscle Cars, de certo modo acompanha a sua morte, numa altura turbulenta para os EUA mesmo no início da crise do petróleo e no declínio da contra-cultura americana.

O filme começa na sua cena final, com a colocação de bulldozers no meio da estrada, e um Dodge Challenger branco a ser perseguido em direcção ao bloqueio. O filme pausa, o Challenger desaparece e a linha temporal retrocede dois dias para conhecer o condutor.

Kowalski (Barry Newman) trabalha para um serviço de entrega de automóveis, a sua ordem de trabalho mais recente, é conduzir um Dodge Challenger de 1970 desde Denver até San Francisco. Após de uma aposta com um amigo o objectivo passa a ser fazer esse percurso em 15 horas. Confiante de que vai ganhar pois o motor 440 Magnum (7.2l) está sobrealimentado e a debitar mais potência que o usual. A personagem é o típico anti-herói desta era do cinema, reservado, um pouco fora da lei e a sofrer de uma crise existencial.

A banda sonora, além do V8 omnipresente, é fornecida por Super Soul (Cleavon Little), um DJ que por vezes funciona como narrador da história e dá indicações a Kowalski de como evadir a polícia.

Através de flashbacks que se relacionam directamente com o que acontece em tempo real, o filme revela mais sobre o passado da personagem principal e as razões da sua crise existencial. Quando foi piloto de automóveis e motos, ambas as carreiras acabaram em acidentes, foi expulso da polícia por impedir o seu parceiro de violar uma rapariga, é assombrado pela perda da namorada num acidente de surf, entre outras tragédias pessoais que causam esta personalidade auto-destrutiva que culmina no final do filme.

O realismo de algumas das cenas é fascinante – velocidades reais, saltos e acidentes reais graças ao facto da produção ter origem numa época em que os condutores de acrobacias faziam o trabalho, muito antes das imagens geradas por computador terem arruinado este género sequências de acção.

Estes filmes de culto, venerados pelos entusiastas no mundo automóvel, são muitas das vezes criticados negativamente pelo público geral pois são demasiado ruidosos, com sequências de acção longas e com pouca história. Esta película sofre um pouco disso, mas pelo aspecto mais simbólico da mesma, marca o final de uma era, a morte do Muscle Car e do movimento contra-cultura dos EUA. Sem esse contexto histórico algumas cenas tornam-se um pouco confusas.

Contudo este é sem dúvida um dos melhores filmes do género. Tudo o que um verdadeiro amante de automóveis aprecia está presente, todos os elementos dessa época histórica são referenciados. Não é por acaso que esta película é das mais influentes e referidas na cultura popular e automóvel: no remake de 1997; no filme “Death Proof” de Quentin Tarantino; em episódios de Top Gear e ainda no vídeo clip de “Tell me How to Live” dos Audioslave.

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