Em 1963, Eric Broadley, fundador e designer chefe da Lola, expôs este Lola MK6 GT Prototype, com o chassis LGT/P, no Olympia Racing Car Show, em Inglaterra e tornou-se a sensação do certame. Este modelo foi desenhado para competir na nova categoria da FIA, a Experimental Grand Touring Class.

A carroçaria feita em fibra de vidro “vestia” o chassis monocoque em aço. Construído para a competição, este protótipo competiu, em 1963, em Silverstone e nos 1000km de Nurburgring. Numa posição central traseira estava montado o motor Ford 289 V8 de 4735cc, que debitava cerca de 400cv e 462Nm de binário, acoplado a uma caixa de quatro velocidades “transaxle” Colotti Tipo 37.

Posteriormente, e já com dois modelos de produção, com os chassis em alumínio, a Lola foi às 24h de Le Mans nesse mesmo ano e foi aí que a Ford olhou para os pequenos Lola e achou que seria interessante desenvolver um modelo idêntico para bater a Ferrari, após a tentativa falhada da compra desta pela Ford. Por isso, a marca americana, adquiriu os Lola GT e contratou Eric Broadley para dar início ao programa de desenvolvimento do Ford GT40. Este protótipo e o chassis nº1 que competiu nas 24h de Le Mans, seriam usados como veículos de testes. Em 1964, Broadley abandonou o projecto, para continuar a desenvolver veículos de competição com a sua marca, a Lola, tendo trazido com ele o Lola MK6 GT Prototype, que ficou guardado nas instalações da marca britânica e a partir daí, Broadley iniciou o desenvolvimento da sua nova máquina de competição, o Lola T70.

Allen Grant trabalhava para a Shelby em Inglaterra, sendo também ele piloto da marca, e preparava os Shelby e os Ford GT40 para as competições na Europa. Um certo dia, olhou para a oficina da Lola e viu este MK6 GT Prototype encostado. Este estava intacto, mas faltava-lhe o motor e a caixa de velocidades. Após várias horas a olhar para o automóvel cinzento, Grant fala com Rob Rushbrook, que estava à frente da oficina da Lola, para adquiri-lo. Nessa altura, a Lola estava a canalizar todos os esforços para o desenvolvimento do T70 e, por essa razão, necessitava de dinheiro e espaço. Rob aceitou vender o automóvel a Grant, por 3000$.

Grant regressa aos Estados Unidos, em 1966, para terminar o seu curso, e mais uma vez o Lola MK6 GT Prototype fica guardado. Durante vários anos, tenta poupar o dinheiro necessário para o reconstruir , mas nunca consegue, até que, em 2005 começou o restauro. Infelizmente, com a crise de 2008, o restauro parou mais uma vez, e nesta fase o pequeno Lola estava às peças e foi assim que ficou até Maio de 2016. Nesta altura, a Ford iria apresentar o novo Ford GT no Monterey Car Week e queriam que o Lola MK6 GT Prototype estivesse presente. John Hill, mecânico de Grant, recomeça o restauro e em apenas quatro meses o automóvel fica pronto. Reunir todas as peças e montar era um projecto e tanto, mas o maior desafio era encontrar as peças que faltavam, com a cobertura dos faróis em acrílico. Como a força de vontade era muita, foram feitas umas novas em casa e postas a “cozer” no forno da cozinha de Hill. Acabado mesmo a tempo do evento, o Lola MK6 GT Prototype foi um sucesso.

Em 2017, Grant levou o Lola para Inglaterra e competiu com ele em vários eventos de clássicos, como os de Goodwood. E ao final de 50 anos, o sonho finalmente se tornou realidade para Allen Grant, que conseguiu reconstruir o seu Lola e competir com ele.

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