Há quem viva para os automóveis no sentido do aparafusa/desaparafusa, e nesse caso a ideia de investir tempo e dinheiro (e por vezes sanidade) no restauro de um Jeep Willys é algo inegavelmente atraente. Mas alguns de nós simplesmente querem conduzir um veículo que, apesar de totalmente cativante, seja também uma plena certeza funcional. Se se procura um Jeep clássico sem se ter a preocupação de o manter “vivo” (não que habitualmente seja muito difícil), não será necessário procurar mais.

A ideia de reproduzir um clássico tão icónico como o CJ para ser utilizado como um brinquedo de um qualquer petrolhead é algo libertador: a possibilidade de explorar totalmente as suas capacidades e limites com a ausência de culpa de pensar “estou a fazer isto a um automóvel com 60 anos”. É aí que entra a Mahindra.

Ao pensar na Mahindra, possivelmente o raciocínio recairá sobre o motociclismo, com eventual atenção para o percurso que o nosso Miguel Oliveira fez aos comandos de uma máquina deste construtor em Moto3, mas a Mahindra é muito mais do que isso, senão vejamos o “porquê” deste Roxor.

O Mahindra Roxor é uma versão ligeiramente melhorada do antigo Willys Jeep Mahindra licenciado para construção em 1947. O construtor indiano tem renovado as licenças desde então, o que lhe permite continuar a produzir versões que actualmente pouco diferem do original ao nível estético.

Como o Roxor é um veículo exclusivo para off-road, a Mahindra não teve de se reger pelos habituais regulamentos de segurança para a sua criação, aproveitando também normativas especiais para estes veículos ao nível de emissões. É deliciosamente simples e old school. Não há airbags, e apresenta-se como sendo mecânico ao mais exclusivo nível. Grande parte das modificações foram feitas para que os componentes sejam mais resistentes para utilização fora de estrada, enquanto se mantém simples o suficiente para que a sua manutenção seja caseira.

Ao explorar a gama de veículos da Mahindra produzidos no seu país de origem, é possível encontrar um modelo muito similar ao Roxor, o Thar. As similitudes não se ficam pelo aspecto (sendo alguns painéis de carroçaria partilhados), passando também por componentes mecânicos (em alguns componentes do motor é ainda possível ver a referência “Thar”).

O Roxor trará uma grelha frontal distinta nos mercados em que coexistir com modelos Jeep, quiçá para evitar erros de julgamento, e para procurar dissuadir a Jeep, que tem questionado e procurado dificultar a vida da Mahindra no sentido da continuidade de produção destes modelos. Para além disso, a ideia persiste: um Jeep Willys original e licenciado, mas ligeiramente actualizado.

O Roxor aparece acompanhado por um motor turbo-diesel de quatro cilindros com 62 cavalos às 3200 rotações por minuto, com o binário máximo de cerca de 195 N.m a fazer-se notar entre as 1400 e 2200 rotações por minuto. É este interessante binário que permite ao Roxor marcha ao ralenti em 4ª velocidade.

No papel, o Roxor possui uma velocidade máxima de 72 quilómetros por hora. Contudo, e tal como reputado em várias reviews, o ponto forte é o supramencionado binário. O pequeno turbo-diesel soa a um motor de tractor e puxa tão bem como este. Em pequenas colinas, sopés lamacentos e poças menos profundas, o Roxor parece um verdadeiro Jeep. A direcção hidráulica faz com que o Roxor vire de forma lenta, o que se dá bem com uma condução point and shoot.

O peso base do Roxor não ultrapassa os 1370 quilogramas, portanto apesar de não ser particularmente potente, possui a genica suficiente para ser divertido nos típicos obstáculos de todo-terreno, tendo ainda a capacidade de reboque de 1600 quilogramas.

É também consideravelmente pequeno, com uma distância entre eixos de cerca de 2,44 metros, um comprimento de 3,75 metros, e uma largura de 1,57 metros. Vinte e três centímetros de distância ao solo, um ângulo máximo de 40 graus, e um centro de gravidade mais baixo do que o do Jeep original em que se baseia, são também argumentos interessantes na altura de afirmar que se trata de um brinquedo para actividades fora de estrada.

Todo o Roxor assenta numa estrutura em aço tubular – uma melhoria que a Mahindra fez em relação à estrutura em forma-C – e dois eixos sólidos. Como elementos de relevo deverão também ser destacados uma barra estabilizadora à frente, e um shock absorver na traseira.

Ao contrário de muitos veículos todo-o-terreno, o Mahindra vem acompanhado de uma caixa manual de cinco velocidades com um selector que permite a transição entre tracção às duas rodas motrizes, ou às quatro em “altas” e “baixas”. Uma caixa automática faz parte dos planos da Mahindra para o futuro. Em todas as suas versões aparece equipado com pneus 235/70R16, comuns para um veículo todo-o-terreno.

Por altura do lançamento, o Roxor estará disponível em quatro cores e com apenas uma versão acima da versão-base, o pacote LE, que incorpora um guincho de 3600 quilogramas, um soft top Bestop, pneus BF Goodrich KO2 para todo o terreno, uma frente redesenhada (mais agressiva), luzes adicionais KC hiLites, espelhos, suportes de porta, e um sistema de som MTX AM/FM Bluetooth Sound Bar, tudo pela módica quantia de 16.000€.

A Mahindra não está apenas à procura de lançar modelo atrás de modelo sem nenhum upgrade de relevo, senão também a adicionar protecções a componentes vitais no interior da carroçaria, diferenciais adaptáveis, e até, imagine-se só, uma frente limpa-neves. Segundo o construtor indiano, uma próxima fase poderá passar por adaptar o Roxor a variantes especificas como pesca, caça, off roading mais desafiante, e até outros desportos. O objectivo será o de lançar uma nova variante a cada seis meses.

Um sistema HVAC está também planeado para 2019, mas se grande parte das actividades pretendidas envolverem a remoção do pára-brisas, a natureza é um belo ar condicionado.

O conteúdo Mahindra Roxor: A reencarnação do Jeep Willys aparece primeiro em Jornal dos Clássicos.

Fonte